Dilma lembra investidor sobre quem é que manda no Banco do Brasil - Asplan Sistemas

Dilma lembra investidor sobre quem é que manda no Banco do Brasil

São Paulo – Que o Banco do Brasil
é do governo brasileiro ninguém tinha dúvidas, mas essa lembrança fica
bem mais clara em alguns momentos. E foi isso que aconteceu ontem. A
presidente Dilma Rousseff forçou a queda
de juros para o varejo, beneficiários do INSS e para as empresas. A
reação do mercado – que costumeiramente põe um desconto nas ações do BB
por conta da influência do governo – foi amarga.

As ações (BBAS3)
despencaram 5,91%, para 24,20 reais. Em um mês, os papéis têm queda de
12,4%, muito acima do recuo de 4,9% do índice Financeiro (IFNC),
que acompanha os principais ativos do setor na bolsa. Com a medida, o
governo quer forçar os bancos privados a fazer o mesmo e assim
incentivar a economia. Mas a lógica para pode não ser tão simples quanto
deseja a equipe econômica.

“Não acreditamos que os bancos do setor privado irão seguir o Banco do
Brasil, pois vemos os spreads de crédito como uma função da
inadimplência, depósitos compulsórios, e impostos. Além disso, com uma
base limitada de capital, acreditamos que a influência do banco sobre o
mercado como um todo será modesta. Apesar disso, a medida do BB pode
deflagrar um ambiente mais competitivo entre os clientes dos bancos”,
explicam os analistas do Deutsche Bank, Mario Perry, Marcelo Cintra e
Tito Labarta, em um relatório enviado a clientes.

Os analistas do HSBC tentaram quantificar a queda nas margens do banco.
Segundo os analistas Victor Galliano e Mariel Santiago, a margem de
intermediação financeira terá queda de aproximadamente 80 pontos-base em
2012. O número é o dobro do que era esperado para este ano.

A estimativa de lucro foi reduzida em 13% e 17% para 2013. Com isso, o
banco diminuiu o preço-alvo para as ações de 34 reais para 29 reais. “O
principal risco, a nosso ver, são reduções piores que o esperado nas
margens, causadas por mais pressão do governo”, ressaltam.

Ações

A reação do mercado após a decisão do governo, contudo, pode ter sido
um pouco exagerada. A queda de ontem representou uma perda de 3,4
bilhões de reais em valor de mercado, ou cerca de 25% do lucro líquido
esperado para 2012, segundo cálculos do Santander. “Em nossa opinião, a
implementação dessas medidas macroprudenciais não é significativa o
suficiente para causar um impacto dessa magnitude”, analisa Leonardo
Milane, estrategista do Santander.

Para ele, a influência sobre o preço da ação pode estar mais
relacionado com as questões de interferência política – “um risco que os
investidores estão acostumados”, diz. Ele continua com a recomendação
de compra, assim como o HSBC e o Deutsche Bank. O Credit Suisse, por sua
vez, viu a medida como mais um fator que explica a visão negativa sobre
o BB. “Mantemos a nossa recomendação de desempenho abaixo da média do
mercado e a nossa postura negativa para o BB e o resto do setor“,
ressaltam Marcelo Telles, Daniel Sasson e Victor Schabbel.

O programa foi batizado de “BOMPRATODOS”. Ao que parece isso pode não
se aplicar para os acionistas caso a mobilidade de clientes não se
concretize.

Fonte: http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/dilma-lembra-investidor-sobre-quem-e-que-manda-no-banco-do-brasil

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