Lytro, uma câmera para o futuro - Asplan Sistemas

Lytro, uma câmera para o futuro


Produto tem tecnologia inovadora e design atraente, mas algumas limitações diminuem seu apelo

Quando as câmeras saíram da era analógica e se tornaram digitais,
ocorreu uma mudança brutal. Era como sair de filmes preto-e-branco para
transmissões em cores. Mas um processo de tirar uma foto continuou o
mesmo: você foca no objeto e aperta um botão para gravar a imagem.

Uma nova câmera chamada Lytro inaugura uma nova era. Você tira uma
foto e define o foco após a gravação da imagem. Com poucos cliques na
imagem, você define qual parte deve ficar em foco e qual deve ficar
desfocada.

A tecnologia é impressionante. Nas últimas semanas, usei bastante a
câmera Lytro e ela mudou minha forma de fotografar. Imagine uma foto de
casamento com a noiva em foco e a festa ao fundo. Clique na noiva e ela
estará em foco, enquanto as acompanhantes ficam desfocadas. Clique nos
convidados e foco muda para eles. A imagem se ajusta rapidamente ao foco
desejado.

O efeito faz com que a fotografia fique mais parecida com o cinema.
Quando estava alterando o foco em uma imagem, ficava me imaginando como
um agente da CIA nos filmes de espionagem, procurando um detalhe em uma
foto.

A câmera Lytro, que começou a ser vendida esta semana no site
lytro.com, consegue fazer isso porque seu sensor captura mais dados do
que os sensores de câmeras comuns. O sensor da Lytro registra as
informações comuns (qual a intensidade da luz e as cores que chegam à
câmera), mas também sabe a direção em que a luz chega à câmera. Com essa
informação (conhecida como campo de luz), o software incluído na câmera
pode criar vários pontos focais.

Design diferente

Tudo isso acontece em uma câmera que se parece um tablete de
manteiga. é um design diferente, com uma lente em uma ponta e uma tela
quadrada e sensível ao toque na outra. No topo da câmera ficam o
disparador e uma área sensível ao toque para controlar o zoom óptico de
8x.

Na parte de baixo há uma porta USB e o botão liga/desliga. é um
design simples e elegante, mas leva um tempo para se acostumar. De
início, me senti meio que como um capitão de um navio antigo, segurando
uma luneta.

A Lytro pesa 215 gramas, um pouco mais do que algumas câmeras
básicas, mas essa diferença é imperceptível na prática. Não há cartão de
memória ou bateria removível. A câmera vem com memória interna de 8 GB
(350 fotos e preço de US$ 399) e 16 GB (750 fotos e preço de US$ 499).

Foto: Divulgação

Lytro tem design bem diferente do de câmeras convencionais

Como a Lytro captura luz na forma de raios, e não pixels, o sensor é
descrito como 11 megarays (11 milhões de raios) em vez de pixels. Ambos
os modelos vêm com uma bateria que dura cerca de 600 fotos, de acordo
com o fabricante.

Tela pequena dificulta ver fotos

O boot da Lytro é rápido. A tela funciona em 1 segundo. Essa tela é
um dos pontos fracos da câmera. Depois de anos vendo fotos em telas
grandes de smartphones e câmeras básicas, a tela de apenas 1,5 polegada
da Lytro é pequena para mostrar com clareza o que está sendo
fotografado.

Já a interface baseada em toque é melhor. Quando a câmera está em
modo de captura, um gesto lateral com o dedo revela um painel com
informações de bateria e memória. Outro gesto exibe as últimas fotos
tiradas. Também é possível ajustar o modo para regular a área de foco. é
obrigatório escolher uma área para o foco, mas uma atualização prevista
para os próximos meses deve deixar essa tarefa opcional, diz o
fabricante.

Depois que a foto é tirada, o usuário pode brincar de trocar o foco
na própria câmera. Mas a tela de 1,5 polegadas não favorece essa tarefa.
é melhor fazer isso em um computador. Atualmente é necessário um Mac,
pois o software não é compatível com Windows. Isso deve ser resolvido
nos próximos meses, segundo o fabricante.

Tirar fotos com a Lytro revela outras vantagens além de poder usar o
foco depois da captura. Pra começar, como o foco é feito depois da
gravação da imagem, a Lytro é mais rápida para tirar as fotos, já que
dispensa o tempo necessário para o ajuste de foco. Ela não é tão rápida
quanto câmeras profissionais, mas você pode disparar à vontade com
pouquíssimo atraso. Em meus testes, a Lytro conseguiu capturar uma foto a
cada 1,3 segundo.

Transferência de fotos é demorada

A transferência das fotos para o computador é feita por meio de USB.
Vale ressaltar que não é uma simples cópia de arquivos. Há um
processamento necessário para que as imagens possam ser clicadas e
refocadas no computador. Se você vai transferir muitas imagens, pode ir
até a cozinha e pegar um café enquanto a câmera trabalha.

Quem compra uma Lytro tem direito a uma conta em um serviço online
para criar galerias e publicar as fotos em redes como Facebook e
Twitter. O serviço é fácil de usar para qualquer pessoa que já publicou
uma foto na web.

As imagens da Lytro são gravadas no padrão LFP (light Field Picture).
Quando publicadas na web, elas são automaticamente importadas para uma
aplicação em Flash com HTML5. Assim, qualquer um que acessa as imagens
publicadas na web pode mudar o foco.

Brincar com o foco da imagem é o maior atrativo das fotos tiradas com
a Lytro. Por isso, o formato LFP não serve para imprimir as imagens. é
possível gerar um JPEG para impressão, mas ele terá uma resolução baixa,
de 1.080 por 1.080. Dá para imprimir fotos em tamanhos pequenos, mas
elas não ficam com uma boa qualidade.

No geral, a Lytro tem um design atraente e vem com uma tecnologia
impressionante e um software fácil de usar. Mas isso não quer dizer que
você deva comprá-la.

Preço alto diminui apelo

A câmera tem falhas, e algumas consideráveis. Por exemplo, não dá
para compartilhar fotos longe do computador. Isso é uma surpresa, já que
um dos avanços recentes em fotografia foi o surgimento de câmeras de
smartphones com recursos para compartilhar as fotos assim que são
tiradas.

Sites que desmontaram câmeras Lytro observaram que há um chip Wi-Fi
inativo. Então deve haver avanços nessa área. Mas, por enquanto, é
necessária uma conexão ao computador para compartilhar as imagens.

E, embora a mudança de foco seja um recurso interessante, ele é o
único neste momento. Adicionar um filtro à la Instagram ou importar uma
imagem para o Photoshop no momento é impossível.

Além disso, há o preço. O valor de US$ 400 ou US$ 500 não é um
trocado qualquer. Ela é muito cara para quem quer tirar fotos básicas
(para isso há a câmera do seu smartphone), e usuários mais profissionais
desejarão mais controles de ajuste e lentes.

O potencial para fotografia baseada em campo de luz é grande. A
vantagem de tirar fotos sem fazer o foco realmente é muito atraente. Mas
há uma diferença entre uma boa tecnologia e um bom produto. Se a Lytro
conseguir refinar sua tecnologia e torná-la mais versátil e barata
(imagine esse recurso em um smartphone), ela pode se tornar um marco.

Por enquanto, tiro meu chapéu para os inovadores da Lytro. Mas não vou abrir minha carteira.

Fonte: http://tecnologia.ig.com.br/analise/fotovideo/lytro-uma-camera-para-o-futuro/n1597661657639.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *