Nova política do Google não deve gerar "efeito Big Brother" - Asplan Sistemas

Nova política do Google não deve gerar “efeito Big Brother”

A nova política de privacidade que o Google vai passar a usar, a partir de 1º de março, será comum para quase todos os seus serviços. Mas será que ela vai tornar a sua vida realmente um pesadelo? Parece que a situação não é assim tão assustadora como dizem por aí.
Victor Haikal, advogado especializado em direito digital, explicou ao R7 que não faz assim tanta diferença para a forma como navegamos hoje. A diferença é no trato com os dados do usuário.
– De fundamental, ele não inovou em nada. Tudo que ele fazia ele vai continuar fazendo. Por exemplo, ele já poderia usar dados coletados a partir do uso do YouTube para aprimorar outro serviço, o Gmail, por exemplo. Isso já acontecia antes. São dois serviços diferentes, mas da mesma empresa. O que ele alterou é que ele trata todos os serviços como um aglomerado só. De usabilidade, de proteção, não muda nada. A forma como a gente trata isso é que é diferente, isso que eles quiseram dizer. Ou seja, você aprova e isso vale para todos os serviços. Não precisa aprovar para cada um dos serviços.
O próprio Google, que promove a “fusão” de políticas como um facilitador, dá exatamente o mesmo parecer. Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google no Brasil, disse que a integração não é o ponto principal da mudança, mas sim o fato de que ficará mais fácil (e padronizado) usar sites que pertençam à empresa.
– Não muda nada, exceto o fato de que é importante que o cliente saiba que todos os produtos do Google estão sob a mesma política. Podia ter divergência de uma política que em um produto não era relevante e em outro era. Já havia uma integração de produtos de um lado para o outro.
No entanto, o professor Coriolano Almeida Camargo, que é especialista em crimes eletrônicos, faz uma ressalva – apesar de concordar que a experiência do usuário continuará sendo a mesma.
– O que precisa tomar cuidado, esse é o ponto sensível, é com o cruzamento de informações acabar revelando dados sigilosos, dados sensíveis dos usuários do Google. Mas, a princípio, para o usuário, não vai mudar muita coisa. E não revela nada que já não esteja na rede. Mas o Google, por sua abrangência mundial, sempre vai gerar polêmica.
“Efeito Big Brother”
Todo esse controle sobre os usuário pode chegar a um certo “exagero”, tomando ares de Big Brother: o Google sugere até que pode acessar seus dados no Google Agenda, o Calendar, checar sua localização atual (via GPS), ver como está o trânsito (Google Maps mostra o tráfego) e te dizer se você vai chegar atrasado a uma reunião, por exemplo.
E alguns usuários na internet estão manifestando certo descontentamento. Coriolano explicou a situação: “As pessoas estão chateadas por dois motivos: primeiro é que o Google só agora está tornando explícito como essa utilização de dados vai se proceder; a segunda é que não há nenhuma maneira de recusar. Você aceita ou não aceita”.
– O Google se defende dizendo que não é que ele esteja coletando mais informações. O Google diz que ele está combinando as informações de seus serviços e usando essas combinações para segmentar anúncios. Alguns usuários, pelo lado da privacidade, estão olhando isso como uma prática perigosa. Aí é que reside grande parte do problema. Essa prática a gente só vai saber, na verdade, se ela é perigosa ou não, se o Google está quebrando a privacidade das pessoas ou não, na prática. Todos são inocentes até que se prove o contrário. Até que se prove o contrário, essa política de privacidade do Google está sendo feita de boa-fé. Está sendo feita para conciliar os interesses da empresa com o dos internautas.
Ximenes rebateu essa preocupação dos usuários com uma resposta simples: “Não é porque a gente pode fazer isso que nós vamos. Você precisa confiar no Google como empresa. Para ser muito honesto, isso já é possível hoje. Se quisesse, já podia fazer isso hoje. Não é porque a gente pode que a gente vai. Estão aproveitando um momento de insegurança para falar.”
– Nós ganhamos dinheiro não com os dados dos usuários. Nós ganhamos dinheiro com publicidade. Claro que eu consigo fazer um “target” se eu sei quem é o cidadão. Se pessoas da região de São Paulo têm procurado um tipo de conteúdo, se estão logadas, eu sei que são jovens entre 28 e 35 anos. Você está associado a um grupo demográfico específico. Nosso trato de tendências, de perfil demográfico, é mais baseado em estatísticas, e aí sim a gente faz um contraponto com alguns dados anonimizados dos perfis.

Fonte: http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/nova-politica-do-google-nao-deve-gerar-efeito-big-brother-20130210.html?question=0

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