Qual é o real valor dos dados?

Um beneficio da valorização dos dados é que ela torna mais simples a proposição de projetos que envolvam os conceitos de manuseio de informação, como Big Data.

Hoje geramos dados a todo instante e em praticamente todas as nossas ações do dia a dia: quando fazemos compras nos supermercados, quando postamos no Facebook, quando usamos nosso smartphone, quando ativamos o GPS no carro e assim por diante. Claramente dados tem muito valor, mas ainda não conseguimos avaliar este seu valor corretamente. Alguns estudos apontam valores elevadíssimos.

Um recente estudo do Federal Reserve, nos EUA, estima que o total de dados e outros ativos intangíveis das empresas, como patentes, marcas registradas e direitos autorais podem valer mais de oito trilhões de dólares, que é um valor quase igual ao PIB somado da Alemanha, França e Itália. Estes ativos intangíveis estão se tornando parte cada vez mais importante da economia global.

As patentes, por exemplo, vêm sendo um dos principais motivadores de aquisições de empresas, como a compra da Motorola pelo Google, por mais de 11 bilhões de dólares em 2011. Outro exemplo é o valor de ações de empresas como Facebook, eBay e Google. Se subtrairmos suas dividas, vemos que elas possuem um total de 125 bilhões em ativos, mas o valor combinado de suas ações é de 660 bilhões de dólares. A diferença reflete a percepção do mercado de que os ativos mais valiosos destas empresas são seus algoritmos, patentes e um enorme volume de informações sobre usuários e clientes. Este valor não aparece nos balanços.

O desafio de valorizar dados 
A partir de 2012 o Gartner começou a propor um novo modelo econômico para mensurar o valor dos dados, que ele batizou de infonomics. Infonomics é a disciplina de mensurar e avaliar a significância econômica dos dados e informações que uma empresa possui, de modo que estas informações possam ser valorizadas monetária e contabilmente. Recomendo ler um artigo sobre o assunto, publicado na Forbes:  http://www.forbes.com/sites/gartnergroup/2012/05/22/infonomics-the-practice-of-information-economics/.

é curioso observar que os dados, apesar de todos os discursos sobre seu valor competitivo, não são valorizados monetariamente e contabilmente. Por exemplo, se um data center pegar fogo, as seguradoras cobrem o prejuízo sofrido pelas instalações e pelo maquinário, de geradores a servidores. Mas não cobre o conteúdo dos dados que foram perdidos.

De maneira geral, uma empresa com boa governança de TI mantém uma política de backup eficiente e consegue recuperar todas ou quase todas os seus dados e informações. Mas caso não consiga, não obterá da seguradora a reparação pelo valor dos dados perdidos.

Vivemos hoje na sociedade a informação e informação é um produto por si mesmo, além de ser o combustível que impulsiona os negócios da maioria das empresas. A consequência deste fato é o surgimento, ao longo das ultimas décadas, de tecnologias de bancos de dados, data warehouses e, mais recentemente, o próprio conceito de Big Data.

Se analisarmos a informação vemos que ela se encaixa perfeitamente nas características de um bem econômico intangível. Entre elas:

a) Custo relativamente alto para sua criação. A produção da informação custa muito mais que as cópias geradas, que tem custo marginal.

b) Escalabilidade. Custos marginais para produzir duas ou duas centenas de cópias. Atualmente com armazenamento e cópias inteiramente digitais elimina-se também o custo de produção das cópias impressas.

c) Economias de escala em termos de produção. No caso da informação impressa, como em livros, quanto maior a edição, menores os custos individuais devido à economia de escala. Nos meios digitais, como e-books,  tais custos inexistem.

d) Poder ser usada por  mais de uma pessoa a cada momento. Diferente de um bem tangível como um carro, que se eu estiver dirigindo ninguém mais poderá dirigi-lo ao mesmo tempo.

e) Substituição imperfeita. Uma cópia reduzida em conteúdo ou fragmentada não pode substituir a informação completa, original.

f) Efeito de rede, cujo valor cresce à medida que mais pessoas a utilizam.

O modelo proposto pelo Gartner – o Infonomics – propõe valorizar a informação. Isto significa quantificar de forma tangível a informação, de modo que possamos dizer que esta determinada informação vale 350 mil reais e esta outra 500 mil reais. Isto significa que ela poderá ser incluída nas análises contábeis e fazer parte do valor de uma empresa. Uma empresa que usar mais inteligentemente suas informações que outras, será mais bem avaliada em termos de valor de mercado.

Vejamos uma comparação simples com empresas da sociedade industrial, como uma companhia de petróleo. O valor desta é estimado pelos repositórios de petróleo que ela dispõe (suas reservas) bem como pela sua capacidade de extrair e refinar este petróleo. Levando para o conceito do infonomics, uma empresa será valorizada pelo valor dos dados e informações que contém e pela sua capacidade de explorá-los adequadamente. Este é um ponto interessante. Dados, mesmo que não sejam usados, têm o seu valor. Assim como uma mercadoria em um centro de distribuição tem seu valor (valor do estoque) antes mesmo de ser vendida, os dados têm valor, mesmo antes de serem tratados por tecnologias de análise de dados. Podemos começar a medir seu valor potencial.

Um beneficio desta valorização é que torna mais simples a proposição de projetos que envolvam os conceitos de manuseio de informação, como Big Data. Será possível, com infonomics, conseguir mostrar que determinado projeto valorizará em 100% o valor de determinada informação, facilitando gerar as estimativas de ROI (Retorno sobre investimento) destes projetos.

Um detalhamento mais aprofundado do assunto Infonomics e diversos links para outras fontes pode ser acessado emhttp://en.wikipedia.org/wiki/Infonomics.

Fonte: http://cio.com.br/gestao/2014/10/15/qual-e-o-real-valor-dos-dados/

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